quarta-feira, 28 de março de 2012

Efêmero


Olho a flor no jardim
em sua beleza insolente:
pétalas frescas, cor radiante,
no esplendor da semente
e antevejo o efêmero do belo:
neste instante, gelo,
ao pressentir o transitório
da existência
o findar-se da essência
pois ali ao lado, no mesmo jardim,
outra flor fenece, esvaída em cinzas
cor esmaecida, estames apodrecidos,
a pender da haste, aguardando o fim
numa via-crucis
bela, mesmo que cruel:
uma, já pende à terra
a outra, ainda se estende ao céu
sem saber que tudo finda,
quando cai o véu.

Dan Lima

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